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Dobráveis acessíveis: como isso pode impactar o preço de modelos tradicionais usados

Os dobráveis acessíveis começaram a mudar a conversa no mercado de smartphones. Durante muito tempo, celulares dobráveis foram vistos como produtos distantes da realidade da maioria dos compradores, quase sempre posicionados em faixas de preço muito acima dos modelos tradicionais. Esse cenário começou a mudar com a entrada de opções mais baratas, promoções agressivas e versões FE ou equivalentes, que reduzem a barreira de entrada para quem antes só considerava um topo de linha tradicional ou um seminovo premium. Segundo a TrendForce, os dobráveis ainda representam uma fatia pequena do mercado global, com penetração ao redor de 1,6% em 2025, mas a consultoria destaca que a queda gradual de preços já está ajudando a posicionar essa categoria de forma mais forte no segmento intermediário-premium e premium.

Isso importa diretamente para o mercado de usados. Quando um produto novo, antes muito caro, começa a chegar mais perto do bolso do consumidor, ele altera a referência de valor de quem está comprando. Em vez de comparar apenas um topo de linha convencional novo com um topo de linha convencional usado, parte do público passa a comparar um dobrável de entrada com um flagship tradicional de uma ou duas gerações anteriores. Esse deslocamento de interesse tende a pressionar os preços dos modelos tradicionais usados, principalmente no Android premium, onde a concorrência com dobráveis é mais direta. Essa leitura é reforçada pelo próprio movimento do setor: a IDC afirmou, ao comentar o mercado global de smartphones no fim de 2025, que um novo portfólio de dobráveis e aparelhos mais acessíveis ajudou a impulsionar upgrades, sinalizando que a categoria já deixou de ser apenas vitrine tecnológica.

Dobráveis acessíveis já estão chegando mais perto do preço de celulares premium comuns

O avanço dos dobráveis acessíveis não é apenas teórico. A Motorola vendeu o Razr 2025 nos Estados Unidos por US$ 699,99 e chegou a anunciá-lo por US$ 599,99 em oferta no canal oficial, um patamar muito mais baixo do que o praticado pelos dobráveis de alguns anos atrás.

No Brasil, a Samsung passou a oferecer o Galaxy Z Flip7 FE com preço sugerido a partir de R$ 3.999 no Pix, segundo comunicado oficial da própria marca. Esse número é especialmente relevante porque coloca um dobrável novo em uma faixa que antes era dominada por celulares tradicionais premium, modelos intermediários avançados muito completos e usados de alto padrão.

Na prática, isso muda a âncora mental do comprador. Se antes um consumidor aceitava pagar mais por um Galaxy S usado, um iPhone usado ou outro topo de linha convencional porque o dobrável novo estava distante demais, agora ele começa a enxergar uma terceira via. Isso não significa que o dobrável vai substituir todos os modelos tradicionais, mas significa que parte da demanda pode migrar. E, em mercado de usados, quando a demanda muda, os preços tendem a se ajustar.

  • Dobráveis de entrada ou FE reduzem a distância para os flagships tradicionais

  • Promoções oficiais aceleram essa aproximação de preço

  • O comprador passa a comparar formato, novidade e status com mais equilíbrio

  • Modelos tradicionais usados perdem parte da exclusividade na faixa premium

Como os dobráveis acessíveis podem pressionar os usados tradicionais

O efeito mais provável dos dobráveis acessíveis não é uma queda generalizada em todos os usados, mas uma pressão seletiva. Os aparelhos que tendem a sentir mais esse impacto são os tradicionais que vivem justamente na faixa intermediária-premium e premium, onde o comprador costuma aceitar pagar mais por tela, construção, câmeras e experiência geral. Se um dobrável novo entra perto desse intervalo, ele cria concorrência real por atenção e orçamento.

Esse impacto tende a aparecer primeiro em três grupos. O primeiro é o dos topos de linha Android de uma ou duas gerações atrás, especialmente os que ainda seguram preço por acabamento premium e conjunto multimídia, mas já não têm mais o apelo da novidade. O segundo é o dos intermediários premium muito caros, que podem ficar espremidos entre um topo tradicional usado e um dobrável novo de entrada. O terceiro é o dos modelos usados que dependem fortemente de prestígio de marca e design para justificar valor acima da média.

Segundo a Counterpoint Research, o mercado de dobráveis deve passar por uma retomada forte em 2026, depois de um período mais fraco em 2025, com a volta do crescimento impulsionada por novos formatos, mais modelos e novas entradas no segmento. A IDC, por sua vez, projetou crescimento de 30% para o mercado global de dobráveis em 2026, citando o primeiro iPhone dobrável como um dos fatores de aceleração. Mesmo que esse avanço não transforme o dobrável em produto de massa de um dia para o outro, ele aumenta a visibilidade da categoria e amplia a competição por consumidores de ticket mais alto.

Aqui entra um ponto importante: essa pressão não depende só de volume absoluto. Ela depende de referência de valor. Mesmo que dobráveis ainda representem parcela pequena do mercado, basta que eles passem a disputar o mesmo orçamento de uma parte dos compradores premium para que modelos tradicionais usados precisem ajustar preço para continuar atraentes.

Quais usados tradicionais tendem a cair mais

Os modelos mais expostos ao efeito dos celulares dobráveis acessíveis tendem a ser os que cumprem duas condições ao mesmo tempo: ainda custam relativamente caro no usado e competem com aparelhos que o consumidor enxerga como aspiracionais. No Android, isso pesa mais do que no iPhone, porque hoje a maior parte da competição em dobráveis continua concentrada no ecossistema Android. TrendForce aponta que Samsung segue líder global em dobráveis, mas Huawei, Honor e Lenovo/Motorola avançaram, o que mostra uma expansão maior do leque de marcas e formatos.

Isso sugere que aparelhos como Galaxy S de gerações anteriores, alguns Motorola Edge premium e outros Androids sofisticados podem enfrentar mais pressão de preço do que iPhones equivalentes. No caso do iPhone, a dinâmica é um pouco diferente porque a categoria dobrável ainda não compete de forma direta dentro do próprio ecossistema Apple no varejo atual; por enquanto, o efeito é mais indireto. A própria IDC fala em impulso potencial com a chegada do primeiro iPhone dobrável, mas isso ainda entra como projeção de mercado, não como realidade consolidada em prateleira para todos os países.

Os grupos que merecem mais atenção são estes:

  • flagships Android usados de uma ou duas gerações atrás

  • intermediários premium que já estavam perto do teto de preço da categoria

  • aparelhos usados vendidos muito mais por status do que por vantagem técnica clara

  • modelos que não oferecem diferenciais fortes em câmera, bateria ou suporte longo

O que pode limitar essa queda de preços

Nem tudo joga contra os modelos tradicionais. Há fatores que seguram essa pressão. O primeiro é que dobráveis ainda levantam dúvidas sobre durabilidade, custo de reparo e desgaste de tela. O segundo é que muitos consumidores continuam preferindo aparelhos tradicionais por simplicidade, espessura menor, menor risco percebido e manutenção mais previsível. O terceiro é que o usado ainda tem uma grande vantagem de preço quando o aparelho está bem conservado e entra numa faixa muito abaixo dos dobráveis novos.

Além disso, a Counterpoint observou que o mercado de dobráveis ainda passou por uma fase de desaceleração em 2025 antes da retomada esperada, o que mostra que a adoção não é automática e ainda depende de preço, portfólio e conveniência real. Isso significa que o impacto sobre os usados deve ser gradual, não abrupto.

O que esperar daqui para frente

O cenário mais provável é este: os dobráveis acessíveis não vão derrubar todo o mercado de celulares tradicionais usados, mas devem tornar mais difícil sustentar preços altos em modelos Android premium que já estavam no limite do razoável. Quanto mais as marcas aproximarem dobráveis do preço de um celular premium convencional, mais o consumidor vai exigir desconto dos tradicionais usados para aceitar abrir mão do formato novo.

Para quem compra usado, isso pode ser uma boa notícia. A tendência é aumentar a pressão competitiva justamente nas faixas mais interessantes do mercado, criando oportunidades melhores em modelos tradicionais de alto nível. Para quem vende, o recado é claro: o preço pedido precisará fazer mais sentido do que antes. Em um mercado onde um dobrável novo começa a aparecer por valores antes reservados a modelos tradicionais premium, manter preço inflado em usado tende a ficar cada vez mais difícil.

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