Publicado em: 23 de fevereiro de 2026
O mercado de celulares usados amadureceu: hoje ele é guiado por dois movimentos bem claros. De um lado, modelos “queridinhos” que vendem rápido porque entregam desempenho e status com preço mais acessível. Do outro, aparelhos que desvalorizam forte porque envelhecem mal (bateria gasta, atualizações curtas, linha muito renovada ou concorrência grande no mesmo preço). Entender essa diferença é o que separa uma compra inteligente de um arrependimento.
A procura por usados pode ser observada pelas buscas e vendas de cada plataforma, enquanto a retenção de valor depende de levantamentos específicos. Na OLX, os dados de 2025 divulgados pelo MacMagazine em fevereiro de 2026 colocaram o iPhone 13 no topo de vendas e buscas. Em outro recorte, dados da Trocafone divulgados em outubro de 2025 apontaram o iPhone 11 como o mais vendido na plataforma. As bases e os períodos são distintos e não formam um ranking nacional único de 2026.
Quando um celular usado vira “campeão de procura”, quase sempre é por um conjunto simples: desempenho ainda atual, câmera consistente e facilidade de revenda. É por isso que iPhones de gerações recentes (mas não as mais caras) aparecem tanto no topo.
No levantamento da OLX referente a 2025, os modelos mais vendidos e mais procurados concentraram vários iPhones, com destaque para iPhone 13, iPhone 14 Pro Max, iPhone 13 Pro Max e linhas Pro/Pro Max mais novas, além de alguns Android premium como Galaxy S24 Ultra e Galaxy S23 Ultra bem posicionados.
No recorte de vendas da Trocafone divulgado em outubro de 2025, a lista de mais vendidos também mostrou essa preferência, com iPhone 11, iPhone 12 e iPhone XR aparecendo com força, seguidos por iPhone 13 e tops da Samsung como Galaxy S23 Ultra 5G e S22 Ultra 5G.
O que explica essa procura (resumo prático):
iPhones “intermediários premium” (XR/11/12/13) viraram ponto de equilíbrio entre preço, desempenho e revenda.
Linhas Pro/Pro Max são muito buscadas por quem quer câmera e tela top, mas pagando menos do que no novo.
Android premium (linha Galaxy S Ultra) entra bem quando aparece em bom estado e com preço agressivo, porque entrega pacote completo.
Se você está caçando um celular usado para uso diário e quer vender depois sem perder tanto, esses grupos são os que mais concentram liquidez (vendem rápido).
Agora a parte que dói: nem todo celular usado “segura” preço. Em geral, os que mais desvalorizam são os que enfrentam um ou mais destes problemas: grande oferta no mercado, troca de geração muito rápida, suporte de atualizações menor, ou envelhecimento ruim (aquecimento, bateria, desempenho).
Aqui entram dados de retenção de valor que ajudam a entender o comportamento do mercado. Um estudo da BankMyCell, baseado em valores de recompra/compra em diferentes períodos, aponta que iPhones tendem a perder menos valor ao longo dos anos do que Androids, com uma diferença grande entre as categorias analisadas. Além disso, análises de depreciação da SellCell indicam que a linha Galaxy S melhorou sua desvalorização nos últimos anos, mas ainda costuma cair mais do que iPhone em média.
Na prática, o “grupo que mais desvaloriza” costuma ser este:
Android de entrada e intermediários baratos: muita concorrência e quedas rápidas de preço quando saem novas gerações.
Flagships Android fora de linha (principalmente quando a geração nova chega): o preço despenca porque a procura migra rápido para o modelo seguinte.
Aparelhos com histórico de bateria fraca, aquecimento ou desempenho inconsistente: o comprador de usado foge.
Um sinal claro de como o valor se mexe está nas médias anuais publicadas em ranking de vendas. Nos dados da Trocafone divulgados em outubro de 2025, por exemplo, o iPhone 12 apresentou valor médio menor que em 2024, enquanto o iPhone XR teve aumento — mostrando que não é só idade, é oferta e demanda em cada faixa de preço.
O ranking de celular usado mais procurado é ótimo para escolher modelos com revenda fácil, mas você ainda precisa filtrar pelo seu perfil. Se a prioridade é custo-benefício, foque em gerações “equilibradas” e com boa disponibilidade de peças e assistência. Se a prioridade é segurar valor, evite modelos que acabaram de sofrer queda por troca de geração, ou que são conhecidos por desvalorizar rápido.
Checklist rápido para comprar celular usado com menos risco:
Prefira modelos com alta procura (revenda mais simples) e fuja de aparelhos “encalhados” sem motivo claro.
Verifique saúde da bateria e aquecimento (isso muda totalmente a experiência e o valor).
Considere armazenamento (128 GB costuma ser mais fácil de revender do que 64 GB).
Compare preço com outros anúncios do mesmo modelo e estado; variações grandes geralmente escondem problema.
No fim, o melhor negócio quase sempre é um celular usado que está no “meio” da curva: ainda forte o suficiente para rodar bem tudo o que você usa, mas já barato o bastante para ter boa relação custo-benefício. E, se você escolher um modelo que o mercado procura muito, a chance de perder menos dinheiro na revenda aumenta bastante.
