O mercado global de smartphones entra em 2026 com sinais mistos. De um lado, ainda existe demanda por aparelhos premium e por novas categorias, como dobráveis. De outro, as previsões mais recentes indicam que o volume total de remessas pode recuar, pressionado por custos mais altos de componentes e por um consumidor mais seletivo na troca de aparelho. Nesse cenário, o mercado de usados tende a ganhar força como alternativa econômica, com modelos seminovos e recondicionados ocupando um espaço maior nas decisões de compra.
De acordo com a IDC, as remessas globais de smartphones em 2026 devem cair cerca de 0,9%, com impacto associado ao aumento de custos de memória (DRAM e NAND) e ao avanço do preço médio dos aparelhos. A IDC também menciona que revisou as expectativas para 2026, saindo de um crescimento previsto para um leve declínio, em parte por ajustes de ciclo de produto e restrições de oferta.
Outra leitura relevante vem da Counterpoint Research: segundo a consultoria, as remessas globais de smartphones podem encolher 2,1% em 2026, também associadas à pressão de custos de componentes e ao impacto disso na demanda, sobretudo em segmentos mais sensíveis a preço. Esse tipo de combinação (custo maior + troca mais lenta) geralmente favorece o mercado de usados, porque consumidores passam a buscar aparelhos que entreguem “o suficiente” gastando menos.
Há sinais de fraqueza também em mercados grandes. De acordo com a Counterpoint Research em números divulgados pela Reuters, as vendas de smartphones na China caíram 23% em janeiro de 2026 na comparação anual, em um contexto de base forte no ano anterior e mudanças no calendário promocional do Ano Novo Lunar. Mesmo que “venda” não seja exatamente “remessa”, esse tipo de indicador costuma influenciar decisões de produção e de canal, reforçando o argumento de que 2026 pode ser um ano de ritmo mais contido.
Consumidor mais cauteloso: troca mais lenta quando o salto de benefício entre gerações parece menor.
Ajustes de ciclo e estratégia de lançamentos que deslocam volumes entre trimestres, afetando o total anual.
Quando remessas recuam, o mercado de usados costuma avançar por uma razão simples: ele “absorve” parte da demanda reprimida por preço. Em vez de comprar um aparelho novo mais caro, muita gente migra para um topo de linha de anos anteriores ou para um intermediário seminovo bem conservado. Em 2026, esse movimento fica ainda mais plausível se os preços médios seguirem pressionados por custo de componentes, como a IDC vem apontando.
Há também uma tendência estrutural: o mercado secundário está deixando de ser “alternativa informal” e virando canal organizado, com recondicionamento, garantia e programas de troca. De acordo com a IDC, o segmento de smartphones usados (second-hand) segue crescendo mais rápido do que o mercado de novos e, para 2026, a projeção de crescimento do usado é de 5,8%, com desaceleração gradual nos anos seguintes à medida que o setor amadurece. A IDC associa esse avanço a fatores como acessibilidade, sustentabilidade e expansão de trade-in e refurbish.
Isso ajuda a explicar por que o mercado de usados pode se fortalecer mesmo em um ano mais fraco para remessas. Enquanto o novo sofre com preço e estoque, o usado ganha por oferecer custo menor, disponibilidade imediata e um “nível de qualidade” cada vez mais previsível quando vendido por canais que testam e classificam o aparelho.
Preço: aparelhos seminovos preenchem a lacuna criada por novos mais caros.
Programas de troca e recondicionamento: aumentam oferta e confiança do comprador.
Sustentabilidade e ciclo de uso: consumidores estendem a vida útil e valorizam reaproveitamento.
Mesmo com um mercado de usados mais forte, alguns segmentos tendem a se comportar melhor do que outros. Topos de linha de 1 a 3 anos geralmente mantêm alta procura porque entregam câmeras, telas e desempenho muito próximos do que a maioria precisa. Já aparelhos muito antigos podem ter o preço atraente, mas trazem riscos maiores (bateria degradada, telas trocadas, ausência de atualizações e compatibilidade menor).
Ao mesmo tempo, é possível que categorias específicas cresçam mesmo com o total caindo. Um exemplo é o nicho de dobráveis: a Omdia aponta 2026 como um ponto de virada para o segmento, com projeção de crescimento expressivo de remessas de dobráveis. E a Counterpoint projeta mudança de mix, com dobráveis do tipo “book” ganhando participação dentro do mercado de foldables em 2026. Isso não “salva” o volume total, mas reforça a ideia de que o mercado fica mais polarizado: premium e nichos andando, entrada sofrendo, e o mercado de usados crescendo como válvula de equilíbrio.
Com as previsões recentes apontando queda nas remessas em 2026 e custos pressionando preços, o mercado de usados tende a ganhar espaço como solução prática para quem quer um smartphone competente sem pagar o valor de um novo equivalente. Ao mesmo tempo, o usado cresce de forma mais organizada, com recondicionamento e trade-in aumentando a confiança. Em 2026, isso coloca o mercado de usados no centro da estratégia de consumo: menos troca por impulso, mais compra racional.
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